Fé que Atravessa Gerações: A Devoção e a Arte do Vagonite Yugoslavo

Devoção e Arte

Olá, meus queridos amigos! Como vocês estão?

Hoje, nosso post traz aquele calor que só a nossa fé pode proporcionar. Afinal, além de falarmos sobre a beleza do artesanato, vamos refletir sobre dois grandes santos da Igreja Católica, cuja memória celebramos recentemente: os Santos Francisco e Jacinta Marto, dois dos três pastorinhos de Fátima, em Portugal.

O Legado de Fátima: Devoção e História

Certamente, é impossível falar de fé sem recordar os acontecimentos de 1917 na Cova da Iria. Francisco e Jacinta, junto com sua prima Lúcia, foram testemunhas de aparições que mudaram o curso da história cristã. Em Portugal, a devoção a esses santos pequenos em idade, mas gigantes em santidade, atravessa gerações e mantém viva uma chama de esperança e oração.

Francisco era o menino contemplativo, que desejava “consolar a Deus”. Jacinta, por sua vez, tinha um coração transbordante de compaixão. Quando visitamos a história de Portugal, percebemos que essa espiritualidade está em todo lugar: no som dos sinos, na arquitetura e, principalmente, nas mãos das mulheres que rezam enquanto trabalham.

Neste cenário de devoção, o artesanato português se destaca. É difícil pensar em Portugal sem lembrar dos bordados que contam histórias e decoram lares com uma dignidade quase sagrada. Assim como a fé é passada de pais para filhos, o bordado também se mantém como uma herança viva, unindo o útil ao espiritual.

O Encanto do Vagonite: Entre a Linha Reta e o Yugoslavo

Inspirada por essa riqueza cultural, hoje quero partilhar com vocês uma técnica que me encanta pela sua precisão e beleza: o Vagonite. No entanto, precisamos fazer uma distinção importante para quem deseja se aprofundar nessa arte e garantir um acabamento perfeito.

Muitas artesãs conhecem o vagonite comum, que trabalhamos em linhas retas. Geralmente, ele é muito utilizado em caminhos de mesa, toalhas de banho e panos de prato, mantendo um padrão geométrico linear e constante. Por outro lado, existe o Vagonite Yugoslavo, também conhecido como Vagonite de Canto, que é o protagonista do nosso post de hoje.

A grande diferença técnica é que, no Yugoslavo, trabalhamos obrigatoriamente com os cantos. Isso permite bordar toalhas quadradas, retangulares e até redondas, criando desenhos que se encontram e fecham a volta completa da peça. O resultado é uma composição de nuances de cores que dão um toque de luxo e sofisticação ao tecido, transformando uma peça simples em uma verdadeira obra de arte.

Uma Relíquia do Meu Acervo: O Valor da Durabilidade

Já que estamos falando dessa técnica, resolvi abrir o meu armário e partilhar uma verdadeira relíquia: uma toalha quadrada bordada em vagonite que guardo há muitos anos. É verdade que o tecido já está mais “surrado” pelo tempo e pelo uso constante, mas o bordado permanece intacto.

Essa resistência me deixa tranquila, pois sei que ainda terei essa peça ativa por muito tempo. Para confeccioná-la, utilizei as Linhas Correntes e a Linha Esterlina nº 5, que garantem uma durabilidade incrível. Na época, escolhi tons que conversassem entre si para criar um efeito degradê clássico:

  • Amarelo Ouro: Para iluminar o centro do desenho;
  • Vermelho Vibrante: Para trazer a força da cor;
  • Vinho: Usei esta cor apenas em uma volta, criando uma profundidade estratégica e um destaque visual elegante.

A escolha criteriosa do material também faz parte da construção de uma peça que atravessa gerações. Afinal, o artesanato de qualidade não é descartável; ele é feito para durar e carregar memórias afetivas.

O Charme está nos Detalhes: Babados e Romantismo

Além do bordado em si, o grande diferencial desta toalha são os babados. Após terminar o bordado yugoslavo, pedi para uma amiga talentosa fazer o acabamento final. Eu já havia ficado encantada com outras toalhas que ela produziu com dois ou três babados e logo decidi que queria aquela lindeza decorando a minha mesa também.

Eu confesso que amo babados. Eles trazem um toque vintage, um romantismo que remete aos tempos das nossas avós, mas com uma releitura moderna. Uma peça como esta faz parte da minha história como artesã e do meu acervo pessoal. Somente nos últimos anos resolvi usá-la diariamente em casa. Além de deixar meu cantinho mais bonito, estou trabalhando o exercício do desapego: as coisas belas foram feitas para serem usadas e apreciadas!

Conclusão: A Arte de Viver o Dia a Dia

Confesso para vocês que, se eu pudesse, bordaria uma peça nova todos os dias. Gosto de ter opções variadas para usar no cotidiano. Sinto um prazer imenso ao abrir o armário e escolher qual peça vai enfeitar minha mesa hoje, trazendo mais cor e alegria para a rotina da família.

Antes de finalizarmos, quero muito interagir com vocês! Afinal, a troca de experiências é o que faz nossa comunidade crescer:

  1. Vocês já tiveram a oportunidade de bordar o Vagonite Yugoslavo?
  2. Qual técnica vocês preferem: o vagonite reto tradicional ou o de canto?
  3. Sobre os acabamentos, vocês também são do time dos babados românticos ou preferem o clássico bico de crochê?

Vou amar ler cada resposta nos comentários! Espero que este post tenha inspirado você a olhar para o seu artesanato com mais fé e carinho. Te espero no próximo post, onde falaremos sobre mais um acontecimento ou uma nova técnica.

Aliás, quem arrisca um palpite sobre qual será o próximo artesanato que trarei aqui?

Com muito carinho, Ednamar 🌿